O REGRESSO APOTEÓTICO DE RAQUEL TAVARES AO COLISEU DE LISBOA NA APRESENTAÇÃO DO SEU NOVO DISCO “DELES POR MIM (E À ANTIGA)”

O REGRESSO APOTEÓTICO DE RAQUEL TAVARES AO COLISEU DE LISBOA NA APRESENTAÇÃO DO SEU NOVO DISCO “DELES POR MIM (E À ANTIGA)”

O REGRESSO APOTEÓTICO DE RAQUEL TAVARES AO COLISEU DE LISBOA NA APRESENTAÇÃO DO SEU NOVO DISCO “DELES POR MIM (E À ANTIGA)”

Raquel Tavares marcou o seu muito esperado regresso aos discos com um concerto absolutamente arrebatador no passado dia 5 de dezembro: o Coliseu de Lisboa esgotado e o público emocionado do primeiro ao último minuto

O espetáculo foi inteiramente dedicado ao novo álbum, Deles Por Mim (e à antiga) — um regresso assumido ao fado na sua forma mais pura e tradicional. O disco, composto por fados apresentados na sua fórmula clássica — guitarra portuguesa, viola e baixo — reúne músicos que têm acompanhado Raquel Tavares ao longo do seu percurso no fado, nos álbuns e na estrada, evocando a forma genuína e quase artesanal como o fado era gravado e editado originalmente. Essa identidade sonora e emocional esteve no centro do espetáculo, conferindo-lhe uma autenticidade e profundidade que o público recebeu de forma vibrante.

Para este concerto marcante, Raquel Tavares preparou um alinhamento especial, profundamente simbólico e representativo da sua carreira, das suas influências e da forma intensa como vive o fado. Logo no tema de abertura, deixou claro que esta seria uma noite de entrega absoluta, guiada pelo seu “sentir”.

Ao longo do espetáculo, homenageou figuras essenciais do seu percurso. Evocou Beatriz da Conceição, referência maior da sua formação, e convidou ao palco Diogo Clemente e Ângelo Freire, parceiros musicais de longa data. Mais tarde, juntaram-se também o padrinho artístico Jorge Fernando e o amigo Custódio Castelo. Com eles, partilhou temas inéditos e protagonizou uma desgarrada memorável com o tema “Lucinda Camareira”, momento de enorme cumplicidade e celebração. Depois de muito ter agradecido e honrado a sua presença na plateia, Raquel cantou “Fado Errado” com a sua “tia” Maria da Fé – lenda da história do fado.

Numa das conversas com o público, Raquel Tavares abriu o coração: “Hoje celebro convosco as minhas escolhas”. Essa declaração ganhou ainda mais força quando apresentou “Fado da Ironia”, um fado que escreveu (e que começou por ser um samba), através do qual explicou que não tinha desaparecido — apenas fizera uma pausa necessária. Uma pausa para se reencontrar, cuidar de si, decidir por ela e não pelos outros. E afirmou, com emoção visível, que agora estava verdadeiramente de volta. O público reagiu com uma onda de aplausos calorosos, reconhecendo a coragem e a autenticidade do seu percurso ouvindo-se da plateia:

“Ainda bem que voltaste, Raquel!”

O espetáculo assumiu-se como um gesto de entrega total — um ato de liberdade artística e uma declaração de amor à música que sempre a definiu e ficou marcado por momentos de grande impacto emocional, incluindo interpretações de fados tradicionais que prenderam a atenção da sala e um encore vibrante que levou o público a aplaudir de pé.

 
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